Tendo em mãos os diversos cartões, procure separá-los em três grupos, um para cada Ato (isso se o escritor utilizar a divisão por Atos). Alguns escritores chegam a prender esses cartões em um grande mural para ter uma visão mais privilegiada. Outros espalham os cartões pela mesa para depois ordená-los. Se você desejar, não precisa nem fazer os cartões, basta escrever o resumo da cena no computador e ir montando a ordem em um processador de texto ou planilha.
Normalmente, o Ato 1 corresponde no máximo a 30% da obra, o Ato 2 fica em torno de 55% e o Ato 3 em 15%. Logicamente, isso é apenas um parâmetro geral e não deve ser sempre seguido de maneira fixa.
Cada Cena é um Pequeno Filme
O essencial de uma obra é retratar os conflitos que o protagonista tem que ultrapassar para conseguir (ou não) seu objetivo. Cada cena individualmente deve ser tratada da mesma forma, ou seja, cada uma deve ter o seu próprio conflito e objetivo, lembrando que o autor sempre deve fazer a história se mover, evitando estaticidade e diálogos vazios.
Porém, uma boa obra não pode ter somente cenas com intensos conflitos, senão a audiência se desgastará rapidamente. O leitor / espectador precisa de cenas um pouco mais leves para ter um alívio e sustentar a tensão. O ideal é o escritor classificar suas cenas de acordo com o nível de intensidade delas: Baixa, Média e Alta.
As cenas de baixa intensidade são cenas rápidas, de preparação e ligação para o que está por vir. Não demore muito nesse tipo de cena. As cenas de média intensidade compreende a maioria da obra e devem ter conflitos e emoções intensas, diálogos importantes, e construir a essência da história. Já as cenas de alta intensidade são as cenas de grande importância e momentos chave, geralmente pontos de transição e o clímax final. Não deve-se ter mais do que três ou quatro cenas desse tipo em uma obra, pois são cenas de picos emocionais e muito desgastantes. Se essas cenas forem de alta qualidade, já é meio caminho para uma história memorável.
É interessante também o escritor ter a noção do processo de Ação Crescente (Rising Action), ou seja, o protagonista deve enfrentar ao longo da obra obstáculos cada vez mais fortes, sempre aumentando o conflito e a tensão envolvida. Logo, uma cena de alta intensidade no final da obra deve estar ligada a um problema maior do que uma cena de alta intensidade no início da obra. Sempre dificulte a vida do protagonista, ele não deve obter nada facilmente.
Conclusão
Após o escritor decidir a ordem das cenas e a qual ato elas pertencem, quais são os principais personagens, seus objetivos e conflitos, está na hora de começar a escrever. O mais importante é sempre se lembrar de que a ordem das cenas pode mudar a qualquer momento, e que isso é uma prática comum. O escritor sempre deve trabalhar em um processo de tentativa e erro. Com o sistema de cartões ou outra forma de organização semelhante, o autor tem toda a visão de sua obra, e sabe claramente onde está o início, o meio e o fim.
É lógico que boas obras podem e foram criadas sem um sistema de organização e ordenação das cenas, e ninguém deve limitar sua criatividade ficando preso a esquemas rígidos. Porém, quanto maior for o controle do escritor sobre sua história, maior será a sua chance de ver e consertar erros na sua estrutura.
Bons estudos!